Monday, September 17, 2007

Carentan

Carentan – 15 de Junho de 1944


Caro Francis,

Mais uma vez obrigado pelas notícias de casa. Devo admitir que fiquei surpreso com a notícia de que o sobrinho dos Wesley, o Mitchell, se alistou na primeira divisão de infantaria (Big Red One). Estarei orando pra que corra tudo bem com ele.

Hoje acordamos cedo. Nosso destino era Carentan, um dos principais alvos das companhias de pára-quedistas.

Silver, nosso homem do rádio, captou uma transmissão de que alguns rapazes do Fox-16 estavam passando por uns bocados perto de Purple Heart Lane, então decidimos ir direto para lá.

No caminho, Holyman, que liderava a formação, fez sinal para pararmos – ele tinha avistado um grupo perto de umas árvores mais à frente. Ele me chamou e disse: “Sargento, dê uma olhada naquela direção, perto dos arbustos. Tem gente lá, só não consigo saber se são dos nossos.” – daí eu respondi: “vamos descobrir.”. Peguei o meu “clicker” e fiz sinal para todos se prepararem. Eu lembrei muito bem no que me disseram sobre o clicker: “um clique deve ser respondido por dois cliques”, então eu dei um clique e esperei. Para a minha sorte, eu ouvi dois cliques de resposta, olhei pelos meus binóculos e confirmei que eram aliados, então acenei para eles, que me acenaram de volta. Dei a ordem para o meu grupo voltar à formação e se juntar com o outro esquadrão de pára-quedistas. Para a minha surpresa, esse novo grupo era o 505th PIR, Companhia Able-16, o grupamento do Angie - eram os homens dele, que tinham se separado desde o Dia D. Eram todos da 82nd Airbourne:

Spc. Igor Cavallera
Sld. Thomas “Tom” Tritton
Sld. Joseph Stallion
Cb. Theodor “Teddy” Lunnis
Spc. Luke “Lou” Tummer Allison
Sld. Sean Toullouzzi (um franco-atirador)
Cb. Adrian Peterson
Sld. David “Thor” Toronto
Spc. Stanley “Stan” Kurtwell
Sld. Brian Locke
Sld Hives Tarket

Estavam sendo liderados pelo Coronel William “Bax” Baxter.

Nunca vi um homem tão feliz como o Angie naquele momento. “Achei que vocês tinham se separado”, dizia ele. – mas foi isso o que aconteceu com nós durante essa operação. Nossos homens se separaram da divisão e se juntavam com o pessoal do 501st PIR, 505th PIR, 506th PIR, etc (foi dureza reunir todo mundo).

Depois de nos conhecermos melhor, fomos em direção de Purple Heart Lane para encontrarmos e ajudarmos os rapazes do Fox-16. No caminho, agora com um número considerável de homens para fazer um estrago, ouvimos disparos de MG’s. Os disparos começaram a ficar um pouco mais altos, dai ouvimos: “VAMOS, VAMOS, VAMOS!!!! CORRAM, VAMOS!!! NÃO PAREM!!!” – eram os caras do Fox-16 (502nd PIR, Companhia Fox-16).

Fiz um sinal para os meus homens para que avançássemos mais rápido. Estávamos em uma estrada de terra, daquelas rurais, com bastante vegetação rasteira alta dos lados, impossibilitando que víssemos com exatidão o outro lado. Então o coronel disse para um dos homens dele (da 82nd) tentar olhar por cima – ele escolheu o Locke, que quando levantou a cabeça e levou um tiro. Quando ele caiu, vi que os olhos dele ainda estavam abertos (acho que nem ele percebeu que tinha morrido naquela hora) e então o coronel Bax disse para que nos separássemos e assim o fizemos.

Nos unimos aos rapazes do Fox-16, mas não foi fácil. Os malditos alemães estavam mandando tudo o que tinham pra cima da gente. Não demorou muito e pudemos ouvir as blasfêmias do cel. Bax: “Malditos alemães!!!! Miseráveis!!! Oak, Oak, venha aqui seu imprestável” – nessa hora, você deve ter a noção de como eu queria mandá-lo para o meio do inferno. Ele mandou eu e meus homens flanquearem as posições dos chucrutes através de uma fazenda nas proximidades.
O grupo do Angie ficou tentando segurar os alemães enquanto o meu grupo dava a volta e flanqueava-os. Mas caímos numa armadilha. Os krauts estavam esperando essa nossa ação e se posicionaram, então começou um tiroteio desgraçado. Eu atirava e gritava: “PROCUREM ABRIGO!!! VÃO, VÃO, VÃO!!!!”

Enquanto o Nox, o Topak, o Fox, o Judas e o Cherok respondiam ao fogo, o Silver, Holyman, Capovich, O’Brian e Frenchman tentavam avançar, mas sem sucesso. Pensei: “Que maldição!!! Desse jeito ficaremos aqui o dia todo!!!”.

De repente eu vi um oficial do Fox-16 avançando com toda a companhia em um ataque frontal contra as posições alemãs. Eu e os meus homens estávamos do lado direito do ataque desse irresponsável e vimos uma grande parte de seus homens sendo aniquilada pelas 42’s alemães.

Tomei uma atitude. Decidi que iríamos flanquear pelo lado direito, enquanto o Nox, e companhia, iriam nos cobrir – somente Silver ficaria com eles porque ele carregava o nosso rádio. Fomos eu, Holyman, Capovich, O’Brian e Frenchman. Fomos com a cara e a coragem. Enquanto o Fox-16 avançava pela frente atraindo todo o fogo inimigo, o Fox-18 avançava pelo flanco direito na esperança de pegar os chucrutes desprevenidos. E conseguimos! Tomamos a fazenda com resistência média – os krauts resistiram bem, nunca vi um disparar um mauser tão rápido, até que aquela geringonça emperrou e ele morreu depois que eu descarreguei o resto do pente da Thompson nele. Gritei: “ASSEGUREM A ÁREA!!! NÃO DEIXEM NINGUÉM ESCAPAR!!!”. Nos separamos do pessoal do Fox-16 e flanqueamos a posição alemã que estava segurando o resto dos nossos homens e a eliminamos. Nenhum quis se render – preferiram serem mortos a se renderem. Com essa área segura, rumamos direto para Carentan.

É claro que no caminho encontramos resistência nazista, mas ela não foi tão intensa quanto à de Saint Come Du Mont ou de Purple Heart Lane. Normalmente encontrávamos 2 MG’s e soldados armados, sem apoio de blindados (Panzers & Tigers). Só tínhamos que ficar esperto para não sermos emboscados pelos krauts.

Chegamos em Carentan no dia 13 de junho, nos fundimos com o resto da divisão (acredite, era muita gente!) e logo recebemos as ordens para o plano de ataque. Os grupos meu (502nd PIR, Companhia Fox-18, 101st) e do Angie (505th PIR, companhia Able-16, 82nd) iriam em direção da igreja, a tomariam-na, e em seguida asseguraria a área ao redor, enquanto o resto da divisão iria arrombar casa a casa e eliminando os alemães.

O sinal do ataque foi dado, os disparos das metralhadoras alemãs começaram e vidas começaram a ser ceifadas.

Os krauts se entrincheiraram nos prédios à frente e atiravam sem cessar. Tínhamos que furar as defesas deles para conseguirmos entrar na cidade. Com muito esforço, conseguimos e sem perder nenhum membro do nosso grupo. E a luta urbana começou.

Os chucrutes atiravam na gente de esquinas, becos e até de janelas. Era muito fácil de sermos atingidos por um bastardo. A luta começou a ficar feia. Os alemães começaram a ficar desesperados para defender a posição e começavam a tomar medidas drásticas, como por exemplo: expor seus franco-atiradores. Eu e o Angie gritávamos: “NÃO SE EXPONHAM, PROTEJAM-SE!!!!”, na esperança de coordenarmos nossos homens para que não houvessem baixas.

Com muito esforço e sem nenhuma baixa, chegamos perto da igreja. Foi nesse instante que ouvimos uma explosão relativamente próxima e em seguida um grito: “ELES NOS LOCALIZARAM, SAIAM DO MEIO DA RUA!!! SAIAM DO MEIO DA RUA!!!!” – e a chuva de morteiros alemães começou. Foi uma confusão. E nessa hora o Angie mandou o Cavallera, Tritton, Teddy, Toullouzzi e Thor assaltarem a igreja pelo flanco direito, enquanto eu mandei o Nox, Fox, Topak, Cherok fazerem o mesmo pelo flanco esquerdo. Enquanto esses dois grupos avançavam, o resto dos homens (incluindo o Angie e eu) os cobria, descarregando nas MG’s alemães que atiravam sem cessar, complementadas pela chuva de explosões.

De repente, o Cavallera é atingido por um morteiro e os outros que estavam com ele, apenas caíram, não se ferindo. O Angie correu em sua direção para ajudá-lo. Eu fui com ele, cobrindo-o e chegando lá, encontramos o Cavallera no chão e um monte de sangue no lugar onde estariam as suas pernas. Naquela hora, por um instante eu me desliguei. Não sei porque, simplesmente me desliguei – fiquei olhando aquele sangue e imaginado: “será que algum de nós voltará para casa inteiro?”. Voltei a mim rápido o suficiente para sinalizar ajuda. Arrombamos a porta da igreja, sob os tiros e os sons e das explosões da artilharia. Sinalizei para que todos se juntarem a nós dentro da igreja.

Quando entramos, asseguramos o local e chamamos o médico do esquadrão para cuidar do Cavallera, que conseguiu a sua passagem para casa de uma maneira estranha. Colocamos ele no chão, ainda sangrando e nisso, o Angie, ainda em choque me chama e aponta para o meu braço esquerdo. Olhei e vi um buraco e quando olhei para a minha mão, vi o sangue quente escorrer. Havia levado um tiro. Mas eu não havia sentido dor alguma, talvez por causa da adrenalina. O Angie até comentou em chamar um médico, mas eu recusei, pois o Cavallera precisava de cuidados tanto quanto eu. Sentei e improvisei um torniquete com um pedaço de corda que eu carregava desde o salto. E para a minha surpresa, o padre ainda estava dentro da igreja (realmente ele devia ter muita fé para ficar no fogo cruzado).

Quando acabei, outro pessoal entrava, eram uns caras do 501st PIR (101st divisão) que traziam um “presente”. Traziam um alemão capturado. O amarraram num banco e começaram a interrogá-lo, mas não entendiam nada de alemão. Até que perguntaram: “Alguém aí, entende alguma coisa que esse miserável esta falando?”. Nessa ora eu me ofereci para interrogá-lo, enquanto o resto do grupo montava um posto de comando e uma enfermaria improvisados.
E comecei, só que ele só falava o nome, o posto e o número de série. Foi então que eu disse: “Hier hörend Fritz, kann ich Sie von diesem lebendigen entfernen, mindestens! Sie müssen nur zusammenarbeiten. Falls dieses Gegenteil ich Sie mit meinen Freunden hier lassen, das besitzen sie nicht die gleiche Geduld, der I, das zu Ihnen in einigen Stücken schneidet und sie Sie Haus in einema Sarg bestellt! Verstandener Fritz? Sie müssen nur zusammenarbeiten!“ (Escuta aqui Fritz, eu posso te tirar dessa vivo, pelo menos! É só você cooperar. Caso contrário eu te deixarei com os meus amigos aqui, que não possuem a mesma paciência que eu, que te cortarão em vários pedaços e te mandarão para casa num caixão!!! Entendeu Fritz? É só você cooperar!). Nesse momento eu percebi que ele iria cooperar. E fiz uma série de perguntas, como: quantas divisões de “Fallschirmjäger” (pára-quedistas alemães) tinham em Carentan? E ele respondeu todas, sem pestanejar. Ele até disse que as casas que rodeavam a igreja estavam cheias de alemães equipados com armas pesadas – desde de FG-42 (Fallschirmjäger Gewehr, 1942) até Panzerfausts & Panzerschrecks. Então decidimos limpá-las.
Chamei os caras do 501st PIR (Baker-14). Eram 6: Stempler (Sld), Doyle (Cb), Gossard (Spc), Allen (Sld), Basil (Cb) e Ingramm (Sgt). E também chamei o Angie. Expliquei a situação e sugeri a estratégia: Allen e Basil subiriam ao campanário da igreja e forneceriam fogo de cobertura (com uma Browning cal.30 e armas leves), Angie, Teddy, Peterson, Tarket e Doyle iriam limpar as casas do outro lado da igreja e Nox, Cherok, Frenchman, Stempler e eu iríamos limpar as casas desse lado da igreja. Gossard e Ingramm iriam ficar dentro da igreja, ajudariam o resto do pessoal e serviriam como equipe de apoio. Combinamos que os grupos de assalto se encontrariam na casa na frente da igreja. E fomos.

O meu grupo arrombou a porta da igreja e logo encontrou um comitê de recepção. Duas MG-42 atiravam em nós através das janelas dos prédios depois do muro da igreja, que tinha, mais ou menos, um metro e meio de altura. Corremos até esse muro para nos abrigarmos.
No caminho, Stempler foi atingido, mas não mortalmente. Ordenei: FOGO DE COBERTURA!!! DESCARREGUEM!!! – então fui até onde o Stempler estava e o arrastei, enquanto ele gritava: “ARGH!!! CHUCRUTE MISERÁVEL!!!” e tentava acertar os alemães nas janelas com sua BAR (apesar de segura-la apenas com sua mão direita, enquanto que com a esquerda, além de o braço servir de apoio pro fuzil, ele pressionava o ferimento que a 42 tinha feito em sua coxa direita). Chegando no muro, fui ver como ele estava: tinha levado 2 tiros – um na coxa direita e o outro no braço esquerdo. Tentei estancar o sangramento, improvisando um torniquete na perna dele e enquanto isso, ele xingava até a 9º geração alemã. “Fica quieto, soldado” eu falava enquanto tentava estancar o sangue. Até que o Cherok disse: “Deixa sargento, eu cuido dele e você cuida das casas.” – concordei, chamei os outros 2 e disse: “Nox, se prepara pra correr até a casa. Eu e o Frenchman jogaremos granadas naquelas janelas e quando elas explodirem, você avança”. Ele concordou.

Nessa hora eu peguei uma granada, tirei o pino e me preparei pra jogar, juntamente com o Frenchman. Jogamos e só deu pra ouvir: “UHR HERAUS!!! GRANAT!!!” (CUIDADO!!! GRANADA!!!) – depois disso a granada explodiu e um dos krauts saiu voando pela janela e caiu na rua. Nisso, o Nox já estava nos esperando na porta da casa e esse alemão, que estava meio tonto, tentou se levantar. Mas o Nox terminou por matá-lo.

Nos juntamos a ele e arrombamos a primeira casa. Entramos, matamos os seus ocupantes nazistas e saímos. Éramos rápidos, para não dar tempo para eles revidarem. As vezes pegávamos eles desprevenidos, outras vezes eles estavam preparados. Então decidimos “limpar” as entradas com uma granada antes de efetuar a ação.

Quando chegamos a última casa, não limpamos, eu arrombei e entrei na frente. Fiz um sinal para o Frenchman e pro Nox para que eles limpassem o térreo, enquanto eu subi para assegurar o superior. Comecei a subir e vi que tinha 2 portas, uma estava fechada e outra estava aberta. Pensei: “é aqui que está o alemão” – fiz pontaria com a Thompson e a descarreguei. Quando estava recarregando(tinha acabado de colocar o pente), ouvi algo atrás de mim em francês (acho que era: “Montre dehors” - que significa algo me torno de: Cuidado!), me virei e um alemão voou pra cima de mim com o fuzil, tentando me matar. Ficamos lá, disputando a arma, hora eu, hora ele, um socando o outro e tentando afastar a arma – ele ficava falando: “Würfel! Sie amerikanisches Schwein!” (Morra! Seu americano miserável!). Percebi que ele estava sem o capacete, então eu, sem dó, dei umas 2 ou 3 cabeçadas nele, que caiu no chão e ficou dizendo: “Amerikanisches Schwein! Sie brachen meine Nase!” (Americano Miserável! Você quebrou o meu nariz!). Nessa hora, eu, cambaleante, agarrei a minha Thompson, a engatilhei e a disparei contra o aquele canalha, que morreu instantaneamente. Fui verificar de onde ele tinha saído e vi uma civil francesa encolhida e chorando num canto de tão assustada que ficou – ela devia ter por volta dos 16/17 anos. Foi ela que me salvou então eu me aproximei e me abaixei perto ela e disse (graças ao Frenchman): “Merci” (Obrigado) – nessa hora ela enxugou as lágrimas e sorriu – um sorriso bonito que eu retribuí. Pensei: “se eu me arriscasse todos os dias por um sorriso desses, estaria feliz”. Chamei o Frenchman para ficar com ela e confortá-la um pouco (ele era o interprete de francês, não eu). Então eu desci para me encontrar com o Nox, que estava de vigia na porta.

Me aproximei do Nox e perguntei: “vê mais alguma coisa?” e ele respondeu: “não, não vejo mais nenhum kraut”. Apesar da artilharia ainda cair perto da nossa área, o Nox não se alterava (a guerra já nos deixou acostumados a isso) Então, de repente, o campanário da torre da igreja foi atingido por um morteiro – não sobrou nada. Nessa hora eu me lembrei: “Allen e Basil estavam lá!”. Ordenei que o Nox ficasse com o Frenchman enquanto eu corria de volta para a igreja.
Chegando lá, todos estavam desesperados querendo ir onde era o campanário. Nesse instante, o Basil aparece cambaleando, todo acabado. Todo o corpo dele estava ferido e encharcado de sangue. Fomos rápido em direção dele e o seguramos. Tentamos falar com ele, mas ele esta meio surdo com a explosão – o Sgt. Med. Charles Campwell (Doc), nosso médico de campo disse que ele ficaria bem, mas nesse estado deveria voltar pra casa.

Depois que o Doc disse essas palavras, um outro grupo de pára-quedistas da 101st divisão entrou na igreja, eram os rapazes do 506th PIR, companhia Dog-19: Stunner (Sgt), Kirbsky (Cb), Tan (Spc), Juliet (Sld) e Zarkavich (Sld) que carregavam 2 feridos, Josh (Cb) e Travis (Sld). Traziam também consigo um outro médico: Sgt. Med. Raul Camarro que, quando eles colocaram os 2 feridos no chão, logo os atendeu. Percebi que o Stempler já estava sendo tratado (aliás, ele estava até conversando com o Cherok).

Enquanto estávamos na igreja, o grupo do Angie retornou, seguido por 3 rapazes do 506th PIR, Companhia Charlie-13: Gallangher(Sgt), Ruans (Sld) e Daniels(Cb), que logo se apresentaram. Depois disso, o sgt. Gallangher nos informou que a companhia Easy (506th PIR, 101st) tinha empurrado os alemães para fora de um trecho da cidade, mas um batalhão de Fallschirmjäger foi visto avançando em direção da igreja, tendo consigo o auxílio de blindados. Quanto ao blindados, Gallangher disse que tínhamos armas antitanque (Bazookas M9A1 e Panzerschrecks capturadas dos alemães), então só precisávamos nos preocupar com a infantaria propriamente dita.

Como o campanário estava inutilizado, tínhamos que nos abrigar no muro sul da igreja e firmar lá nossas posições. Para a nossa “alegria”, mais 2 pára-quedistas se juntaram à nós: McDonnis (Sld) e Durks (Sld) ambos do 506th PIR, Companhia Charlie-13, 101st Divisão (sim, eram do grupo do Gallangher). Com toda a ajuda que conseguimos, montamos as defesas e ficamos a esperar os chucrutes. O pior não eram os tanques, mas sim os feridos dentro da igreja. Tínhamos que resistir.

Toullouzzi, o franco-atirador do grupo do Angie, tinha se juntado com o Peterson, Thor, Stan, Lou e Tomasso, onde montaram posições no prédio do lado direito da igreja. Fox, Topak, Silver, Capovich e Holyman ficariam no prédio do lado esquerdo. Ambos esses 2 grupos portavam uma metralhadora Browning cal.30. O Nox e o Frenchman tinham recuado para a igreja, trouxeram aquela garota consigo (ela ainda estava muito assustada) e deixaram-na com o padre, que ainda estava dentro da igreja.

Dá pra imaginar a situação? O Plt. Sgt. Stuart tinha se juntado a outro grupo de uma outra divisão, enquanto os 2 únicos oficiais de alto escalão estavam desaparecidos. Essa área de Carentan tinha que ser defendida por um bando de sargentos e seus homens que neles confiavam suas vidas para voltar para suas famílias.

Enquanto filosofávamos sobre a presente situação, o soldado McDonnis, a mando do Sgt. Gallangher, tentou subir no campanário destruído para nos dizer quantos alemães se aproximavam. Chegando lá em cima ele observou ao redor com seus binóculos e sinalizou: 1 batalhão de Fallschirmjäger acompanhado por 3 tanques da classe Panzer IV, em outras palavras, estávamos ferrados! Segundo ele, os tanques avançavam separados um do outro e o batalhão de krauts estava dividido em três, cada um com, mais ou menos, 15 homens cada. Isso quer dizer que lidaríamos com, mais ou menos, 45 krauts, sendo que possuíamos, aproximadamente 20 homens disponíveis para combater. Repito: estávamos ferrados! A respeito dos tanques, possuíamos 2 foguetes de Bazooka M9A1 e 2 foguetes de Panzerschrecks – um Panzer IV não cairia com um tiro, então tínhamos que usar 2 para cada tanque e improvisar para destruir o terceiro. Mais uma vez: estávamos ferrados! As armas antitanque seriam manejadas pelos homens restantes do Baker-14 (Doyle, Gossard e Ingramm) e pelos homens restantes do Dog-19 (Stunner, Kirbsky, Tan e Juliet). O resto dos homens: Fox-18, Able-16 e Charlie-13, descartando os 2 grupos das posições das metralhadoras, iriam defender a igreja.

O ataque começou e os alemães, apesar de virem de ruas consideradas estreitas, conseguiam se abrigar dos nossos tiros. Foi um inferno! As nossas metralhadoras (dos grupos do Tomasso e do Capovich) não paravam de atirar. Eu podia ouvir o zunido das balas bem de perto. Atirávamos em tudo o que víamos e matávamos tudo o que não buscasse abrigo.

De repente, o Sgt Gallangher grita: “TANQUE!!!! TANQUE!!!” – o primeiro Panzer aparece vindo da rua principal. Imediatamente eu gritei: “INGRAMM, ELE É SEU!!! ACABA COM ELE!!!”. Nisso, ele dá sinal para seus homens para carregarem a bazooka e atirarem no tanque alemão. Foi o primeiro tiro e o foguete acerta o tanque em cheio, chacoalhando-o. Foi o segundo tiro que inutiliza o tanque permanentemente. Um dos tripulantes tentou sair, mas foi, literalmente, executado pelo cabo Doyle.

O ataque alemão prosseguiu. Foi quando ouvimos um estrondo e uma explosão próxima a parede da igreja e o Durks, que estava junto dali, foi arremessado longe. Ruans correu até lá para ver se ele estava bem e foi atingido na perna por um atirador alemão. Durks só estava meio tonto com a explosão, se levantou e arrastou o amigo ferido para longe do combate.

Ouvimos outro estrondo, seguido de outra explosão. Foi quando o Sgt. Gallangher me chamou e disse: “Oak, tem um tanque bem ali! Ele entrou pela vitrine da loja!!! Sinalize o Stunner para pegá-lo!”. Concordei e o fiz: “STUNNER, NA VITRINE DA LOJA! NA VITRINE DA LOJA! PEGUE-O!!!”. Nisso, o próprio Stunner pegou a Panzerschreck, fez pontaria e atirou. O tiro foi certeiro, mas o artilheiro do tanque disparou o canhão, atingindo a parede da igreja onde todos se abrigavam, arremessando-os bruscamente. Eles não se feriram gravemente, porque o ponto de impacto do projétil não atingiu exatamente onde eles estavam – a grande maioria ficou desacordada e/ou com pequenos ferimentos superficiais. Nisso, o Stunner aproveitou que o tanque estava recarregando o canhão, fez pontaria novamente e disparou. A explosão foi forte e o tanque parou e dessa vez, nenhum integrante dele saiu.

A luta prosseguia intensamente. Os krauts queriam a todo custo tomar a nossa posição. Foi nessa hora que eles começaram a jogar granadas em nós – ficamos desesperados para pegá-las e joga-las de volta ou simplesmente nos abrigarmos e esperarmos elas explodirem.

Enquanto tínhamos as nossas atenções voltadas para essa situação, o Sgt. Gallangher novamente grita: “TANQUE!!!”, respondi: “O QUE ESTÁ ESPERANDO, ACERTA ELE!!!” e ele explicou: “ACABOU!!! SEM FOGUETES!!!” – corri para onde ele estava e perguntei: “Você tem COMP-B ou TNT?”, ele respondeu: “Tenho sim! Um COMP-B e 5 cargas de TNT!” então eu falei: “Me passe o COMP-B e o bastão do detonador!”, daí ele me perguntou: “O que você vai fazer?”, respondi: “Fique olhando!”, e saí correndo na direção do tanque. Nessa hora eu pude ouvir o Gallangher gritando: “VOLTE AQUI SEU DOIDO!!! QUE DROGA!!! COBERTURA!!!!” – quando isso aconteceu, eu virei o alvo primário dos alemães, mas eu atirava em tudo que eu pude ver na esperança de, pelo menos, suprimir a agressão. O tanque tentou girar sua torre para atirar em mim, mas ela era muito lenta e não conseguiu.

Chegando ao tanque, subi perto pela parte de trás e fui direto em direção da torre. Tirei o COMP-B da mochila, retirei o pino do orifício, introduzi o bastão do detonador, girei-o, abri a escotilha da torre do tanque, tirei o pino de segurança do bastão do detonador (aqui eu armei a carga), joguei o COMP-B armado dentro da torre do tanque e fechei a escotilha – tudo isso, sob fogo cerrado dos krauts. Nessa hora eu pulei do tanque e corri o mais rápido possível para me proteger – corri para um edifício, perto de uma esquina. A explosão foi muito forte! Saiu fogo até mesmo pelo canhão do tanque e a escotilha foi completamente destruída pela força da explosão. Depois dessa cena, eu pude ouvir gritos vindos da esquina: “Laufen Sie für Ihre Leben!!! Wir verloren unsere Rüstung Unterstützung!!!” (Corram por suas vidas!!! Perdemos nosso apoio blindado!!!), engatilhei a Thompson, me inclinei e comecei a atirar nos alemães em retirada (quem não correu rápido o bastante ficou lá mesmo estirado no chão!) – atirei até que a munição do pente se esgotasse, pois quando ela acabou e eu comecei a recarregar, os krauts já tinham ido.

Tínhamos vencido! Enfim um descanso. Voltei para a frente do edifício, encostei minhas costas contra a parece e deixei meu corpo deslizar até o chão. Estava ofegante e um pouco trêmulo. O Angie e o Gallangher vieram até mim para saberem se eu estava bem. Nisso, escuto o trote de cavalos. Pensei: “Não é possível que os Krauts mandaram uma unidade de cavalaria!”. Mas não eram os alemães, mas sim um sargento do 506th PIR que logo que chegou, perguntou: “Quem de vocês é o sargento Oak?”, respondi que era eu e então ele disse: “Tenho um recado do coronel Baxter: ele disse que o Plt.Sgt. Stuart foi ferido e o comando geral do grupo é seu. Ele quer que você se re-agrupe com ele próximo a colina .30 – a companhia Easy (506th PIR) já está rumando para lá enquanto falamos”. Depois do jovem sargento ter me dito essas palavras e ter partido, chamei o grande grupo e expliquei a situação. Disse que, descartando os feridos, o resto iria conosco até a colina .30. Tiramos algum tempo de descanso, o Doc aproveitou e extraiu o projétil do meu braço (e o enfaixou também), pegamos munição e água e fomos.

A colina .30 ficava nos arredores de Carentan. Era uma defesa natural, com bastante vegetação.

Chegando perto dela, com aquele imenso grupo, já ouvimos os sons da batalha. A Companhia Easy estava tentando desesperadamente segurar aquela linha. Sob fogo, nos unimos a eles e logo fui chamado para me apresentar ao Tenente Winters, que estava e um ponto mais protegido – ele me disse para segurar a linha, custe o que custar (se não conseguíssemos, os alemães poderiam retomar Carentan!). Depois de receber as minhas ordens, voltei para onde meus homens estavam e disse: “MUITO BEM GENTE, TEMOS QUE SEGURAR ESSA LINHA CUSTE O QUE CUSTAR...CASO CONTRÁRIO, OS KRAUTS PODEM RETOMAR CARENTAN!!!” e eles entenderam e logo trataram de se protegerem.

Falando nos homens, eu encontrei mais 7 da Companhia Fox-18 do 502nd PIR: Kirzarsky, Porter, Potter, Olivers, Downies, Syphers e Ramirez. O Porter e o Potter, ao contrário do que todos pensavam, não eram irmãos e muito menos amigos de infância. Acredite, que mesmo com a droga do erro do salto e de tudo que se passou nesses 7 dias infernais na Normandia, eles conseguiram permanecer juntos. Como a pronúncia dos nomes deles era semelhante, chamávamos respectivamente de “Roger” e “Tare” (Roger significa ‘R’ e Tare significa ‘T’ no nosso alfabeto fonético). Encontramos também outros rapazes: Tyler “Ren” Reyenne (506th PIR, Item-20), Francis Coppleville (501st PIR, King-15), Martin Slugs (505th PIR, Dog-12), Abe Terens (506th PIR, Item-20) e Tuds Friks (Sgt – 505th PIR, How-12).

Eu não preciso dizer que aquele foi um combate horrivelmente intenso. Só ouvíamos os zunidos dos tiros, as explosões dos morteiros alemães, os sons dos tiros acertando o chão e os gritos de pára-quedistas moribundos, que às vezes chamavam pelas mães, ou dos que eram atingidos ou dos que agonizavam violentamente, esperando que a morte chegasse logo.

Logo que começamos a responder o fogo, Coppleville foi atingido na cabeça e morreu na hora. Em seguida, Friks foi atingido por uma explosão de morteiro e ficou incapacitado de continuar. Ali permanecemos lutando e tentando nos proteger. Eu ouvia os gritos: “A SILUETAS!!! PROCUREM AS SILUETAS DELES!!! ATIREM SEM CESSAR, MALDIÇÃO!!! DESCARREGUEM!!!”.

Foi quando eu notei que o Ren só ficava encolhido, sem sequer disparar o seu fuzil. Então fui até onde ele estava e disse: “Ren! O que você pensa que está fazendo? Há homens morrendo aqui...recomponha-se!!! Pegue essa porcaria de rifle e comece a atirar nos alemães!!!”. Nessa hora ele, ainda um pouco assustado, pegou seu rifle, fez pontaria e começou a dispará-lo até que a munição acabou e ele foi recarregar. Nisso, ele levou um tiro do ombro esquerdo e caiu no chão berrando, ficando assim, fora de combate. Quando isso aconteceu, eu abaixei e comecei a tentar estancar o sangramento com as minhas próprias mãos enquanto eu gritava: “MÉDICO!!! MÉDICO!!!!” – que atendeu os meus gritos foi o Sgt. Med. Camarro (o Doc ficou em Carentan) que quando chegou lá, já tratou de cuidar do Ren.

Seguramos os krauts até o escurecer. Acampamos lá mesmo. Cavamos algumas trincheiras pequenas (chamadas por nós de “Fox-Holes” ou Buracos de Raposas) para permanecerem duplas – enquanto um dormia, o outro vigiava. Eu não consegui dormir, então eu me assegurei que os que estavam de vigia ficassem acordados. Cheguei na trincheira onde estavam o Gallangher e o McDonnis, que estava fumando um cigarro e quase me apunhalou com a baioneta (me confundiu com um alemão, eu ultraje!). Só sei que um pobre infeliz da Easy não teve a mesma sorte, porque ele foi apunhalado pelo companheiro que o confundiu com um alemão – ouvíamos os gritos, enquanto os médicos o estabilizavam . Enfim, verifiquei se os meus homens precisavam de algo. E assim foi até umas 4 horas da manhã.

Pela manhã, fomos acordados pelos tiros alemães – eu principalmente, porque tinha acabado de pegar no sono. O Angie chega e grita: “HORA DE MERECER O SALÁRIO OAK!!! ACORDA VAGABUNDO!!!” – depois de falar isso, o Stallion, um dos homens do Angie que corria para o seu buraco, foi atingido inúmeras vezes pelos disparos de uma MG-42 e morreu depois de agonizar durante uns 3 minutos, caído perto de uma árvore. Não pudemos fazer nada – se saíssemos naquela hora, talvez mais 5 homens seriam mortos.

Na primeira ‘deixa’ que tivemos, saímos dos nossos buracos e fomos em direção da proteção natural da colina. E ficamos ali trocando tiros. Nisso, o Nox chega pra mim e grita: “QUE BELO DIA PARA MORRER!!! VOCÊ NÃO ACHA, OAK???”, eu respondi: “CALA A BOCA NOX!!! FALA ALGO MAIS CONSTRUTIVO, DESGRAÇADO!!!” e ele começou a cantar uma música muito pertinente:

“Havia um alemão maldito
Numa colina maldita
Eu atirei nele
E ele MORREU!!!!

1, 2, 3 Fritzs mortinhos
4, 5, 6 Fritzs mortinhos
7, 8, 9 Fritzs mortinhos

Agora só falta o Adolfinho!!!”

“ÓTIMO NOX, MELHOROU!!!” e ele, sarcasticamente, respondeu: “OBRIGADO SARGENTO, FAÇO O QUE POSSO!!! HAHAHAHAHA”

Depois desse momento de humor, o coronel Baxter resolve dar as caras e já começo gritando: “VAMOS SEUS INÚTEIS!!! ATIREM! ATIREM! VAMOS LOGO OU EU MESMO OS MATO!!! FOGO NOS KRAUTS!!!”. A tensão era tanta que nem dávamos bola para o que ele falava. Tentávamos nos proteger dos tiros a ouvir o que ele tinha a nos dizer.

Mas parece que não nos protegíamos muito bem: Downies e Syphers foram atingidos por um morteiro que caiu bem perto deles e morreram instantaneamente. Em seguida a isso, eu chamei o Olivers e o Kirzarsky e disse a eles: “Olivers, Kirzarsky, eu preciso que vocês vão até o Tenente Winters e perguntem a ele sobre o paradeiro dos nossos blindados! Se eles estiverem perto o suficiente, podemos chamá-los para virar o jogo aqui! Vão e fiquem com a cabeça abaixada! VÃO!” – eles foram. Ficaram a minha vista o tempo todo. Eu pude ver claramente quando eles voltavam: Olivers na frente, seguido pelo Kirzarsky. E pude ver claramente também, quando um morteiro caiu depois que o Olivers passou e o Kirzarsky foi atingido – ele morreu na hora. Como se isso não bastasse, o cabo Daniels avistou 2 panzers alemães de aproximando. Lembro que a dupla Porter e Potter começaram a gritar: “MEU DEUS!!! TANQUES!!! TEMOS QUE SAIR DAQUI!!! TEMOS QUE SAIR DAQUI!!!” e o Baxter, ao ouvir isso, gritou: “NÓS NÃO VAMOS RECUAR!!!! NÓS VAMOS FICAR, NÓS VAMOS LUTAR, NÓS VAMOS MATAR E NOS VAMOS VENCER!!!” – o Potter até tentou se levantar, mas o Baxter sacou a sua .45 e apontou para ele dizendo: “Não vou tolerar desobediência de minhas ordens soldado! Se tentar sai daqui mais uma vez, eu mesmo o mato por deserção”, depois disso o Potter sossegou.

Enquanto eles tinham essa discussão, o Olivers chegou e me disse ofegante: “Senhor, Winters disse que eles estão perto! O que devemos fazer?” – antes que eu pudesse responder, eu virei para o Baxter e gritei: “CORONEL, NÃO É A HORA E MUITO MENOS O LUGAR PARA ISSO, PELO AMOR DE DEUS!” e ele respondeu: “OAK, CALE A BOCA!!! EU ESTOU ME LIXANDO PARA O QUE VOCÊ FALA!!! VOCÊ É UM COVARDE QUE NÃO TEM O MENOR SENSO DE DEVER!!! EU ESTOU NO COMANDO E EU FAÇO O QUE EU BEM ENTEDER!!!” – terminadas essas palavras, um morteiro explodiu bem em cima dele, arremessando-o longe (ou o que restou dele, pois só a metade de cima foi encontrada!). O Nox, que viu a cena disse: “Obrigado Senhor! Prometo que eu vou a igreja!!!” – isso nos tirou umas boas risadas por um minuto. E os outros responderam: “Amém, irmão!”.

Voltei para o que realmente interessava: chamei o Silver, que era o nosso operador do rádio e disse a ele: “Manny, o Tenente Winters disse que há blindados aliados por perto...contate-os e diga-lhe para virem já pra cá!!! Se afaste um pouco para conseguir transmitir!” – assim ele o fez. Tentou uns 15 minutos até conseguir uma resposta, eu lembro que ele falou algo semelhante a isso: “FOX 6, PODE ME OUVIR? FOX 6, AQUI É FOX 8...RESPONDAM!!! PRECISAMOS DE SUPORTE DOS BLINDADOS PRÓXIMOS A COLINA .30, IMEDIANTAMENTE!!! ELES ESTÃO TENTANDO PENETRAR NAS NOSSAS LINHAS ENQUANTO FALAMOS!!!’ (‘afirmativo, Fox 8, aqui é Fox 6...estou passando a sua localização para o grupo mais próximo’) OK OK, FOX 8 DESLIGANDO!!!” – depois disso ele gritou pra mim: “SARGENTO, EU CONSEGUI!!! ELES ESTÃO VINDO!!!” e um morteiro explodiu perto dele, deixando-o atordoado. Ele tentou se levantar e quando consegui, foi atingido 3 vezes: 2 tiros no peito e um na cabeça...não pudemos fazer nada por ele.

Holyman, que viu tudo, correu até lá para tentar ajuda-lo. Mas todos nós sabíamos que ele tinha morrido (perdoe a minha letra tremida Frans...é muito difícil!). O Nox ao ver aquela cena disse: “É...mais um! É mais um garoto que morre! Malditos alemães bastardos!” – de repente, um projétil o atinge na cabeça e ele cai. “NOX!” eu gritei e ele, no chão, respondeu: “tá tudo bem sargento, pegou no meu capacete! Argh!!! e bem onde eu sinto a minha enxaqueca!!! Ai como dói!!!...como se fala ‘vai se ferrar’ em alemão?”. Nessa hora eu comecei a rir e ele meio que se irritou: “isso mesmo, vai rindo! Não foi com você que isso aconteceu!”. E eu continuava rindo. Que susto aquele idiota me fez passar.

Depois dessa cena meio que cômica, o Gallangher chegou até mim e disse: “Oak, o Cap. Winters me mandou aqui para saber se os blindados estão a caminho! Eles estão?”, eu respondi: “Afirmativo, Gal! Eles estão vindo...só temos que segurar os alemães um pouco mais!”. Então ele se levantou e disse: “Ok!, eu vou avisa-lo e ent...” – antes que ele pudesse terminar, um projétil alemão o atingiu no pescoço e ele caiu do chão cuspindo sangue. “MÉDICO!!! MÉDICO!!! CAMARRO!!!! O GAL FOI ATINGIDO!!!!” eu gritava. O Camarro veio correndo e logo o foi atendendo ele – disse: “Pressione o ferimento dele Oak! Vamos!” e foi o que eu fiz, enquanto falava pro Gallangher: “Vamos lá Gal, agüenta firme cara! Agüenta! Vamos lá sargento!!! Respira! Olhe pra mim!” mas ele não resistiu. Morreu ali mesmo (que lástima!). O Camarra não agüentou, se levantou e gritou pros alemães: “SEUS BASTARDOS!!!! DÊEM UMA CHANCE PRA GENTE, DESGRAÇADOS!!!! DROGA!!! DROGA!!!!” – e como se não bastasse, ele também foi atingido e foram 10 tiros. Ele caiu completamente ensangüentado e já no chão, cuspindo sangue, disse: “que...dro-ga de gue-rra mal-di-ta! Argh! Dro...ga!” – tentamos ajudá-lo, mas ele também não resistiu. Depois que ele partiu eu chamei o Olivers e ordenei para ele fosse buscar uma Browning calibre 30 para a nossa posição e ele foi.

Ouvi os outro gritarem: “VAMOS SAIR DAQUI SARGENTO, ANTES QUE TENHAMOS O MESMO FIM!!!” e eu estava a ponto de concordar, quando eu ouvi gritarem: “SHERMANS!!! SÃO DOS NOSSOS!!!” – eram os nossos tanques que chegaram para nos ajudar. Coincidentemente o Olivers também chegou trazendo a metralhadora consigo.

“VAMOS LÁ!!! HORA DA VINGANÇA!!!”, gritei. “Porter, Potter...manuseiem a calibre 30”, ordenei. E começamos a atirar sem cessar contra aqueles vermes que recuavam como um cão com o rabo entre as pernas. E eles tinham a desvantagem, porque para eles era uma subida eu tinham que enfrentar sob uma chuva de balas. Os tanques deles foram atingidos pelos nossos Shermans e por armas leves antitanque (Bazookas M9). Só paramos de atirar quando não vimos mais nenhum deles de pé (a maioria tinha recuado e passado para o outro lado da colina).

Depois desse combate feroz, fui chamado pelo Ten. Winters que disse para voltarmos para Carentan. Eu disse a ele que perdi meu operador do rádio e ele designou um outro para mim: Spc. James Wisbowski (101st Divisão – 506th PIR, Companhia Easy) e acrescentou: “quando chegarmos a Cherburgo ele volta para a unidade original, okay?” – eu, naturalmente, concordei.

Os Sgts Ingramm (501st PIR, Baker-14) e Stunner (506th PIR, Dog-19) disseram que iriam com o 506th PIR, Easy e o Sgt Daniels (506th PIR, Charlie-13), que fora promovido depois dessa batalha, disse que faria o mesmo e levaria consigo os cabos: Slugs (505th PIR, How-12) e Terens (506th PIR, Item-20). Concordei, pois assim cobriríamos mais terreno. Me despedi deles apertando as mãos. Sobramos apenas eu e o Angie.

Quando voltamos a Carentan, acredite, ainda havia resistência! Mas nada para se preocupar, pois eram apenas alguns grupos de krauts assustados que tentavam sair da cidade. Não deram muito trabalho. O único trabalho foi caçarmos eles por todas aquelas ruas e ruelas daquela cidade em ruínas (olha só Frans, até rimou!).

Depois de tudo isso, nos reunimos na frente da igreja (a mesma que defendemos anteriormente) e, em uma cerimônia simples, o Capovich (101st Divisão – 502nd PIR, Fox-18) e o Tomasso (82nd Divisão – 505th PIR, Able-16) foram promovidos a sargentos(Sgt) e o Toullouzzi (82nd Divisão – 505th PIR, Able-16) foi promovido a soldado de primeira classe (Spc). Eles mereceram! , mas eu não fiquei muito tempo lá com eles, eu me afastei e fui para o outro lado da igreja.

Eu encontrei um lugar para me sentar e tentar descansar. Sentei-me em um caixote que estava lá perto, coloquei a minha arma do lado, tirei o meu capacete e, não agüentando, chorei. Chorei mesmo...se não fizesse, enlouqueceria! Foi então que, em meio aos prantos, eu ouvi uma doce voz dizendo: “Ce que est arrivé monsier?”(O que houve senhor?) – era aquela garota francesa que eu tinha salvado e que, naquela hora, me olhava com espanto, como se nunca tivesse visto um homem chorar. Fiz um gesto de “não foi nada”, mas ela veio e sentou-se ao meu lado e disse: “Je sais mange est. J'ai déjà passé donc.” (Eu sei como é. Já passei por isso.). E eu continuava a chorar. Então ela, docemente, abraçou a minha cabeça contra ela e começou a cantarolar uma música (muito bonita por sinal), agindo da mesma forma como uma mãe que tenta acalmar uma criança pequena. Aos poucos eu fui me acalmando. Esfreguei as minhas lágrimas, sorri e disse: “Merci”, e ela respondeu: “Ce a été ce que je pourrai faire par mon héros” (Foi o que eu pude fazer pelo meu herói – quando o Frenchman me disse a tradução dessa frase, você não imagina como eu fiquei vermelho!) e ela acrescentou: “à propôs, je m'appelle Marie” (a propósito, meu nome é Marie) e com o pouco que eu entendi, eu respondi: “Je suis Luke” (Eu sou Luke) e ela sorriu (e eu fiquei sem-jeito).

Com o pouco de francês que eu sabia (graças ao Frenchman) eu consegui conversar um pouco com ela, sem falar que ela entendia um pouco de alemão (o que eu evitava de falar, porque quando eu falava uma palavra em alemão, ela me olhava com aquele olhar de “não estrague tudo!”) e de inglês. Dei muitas risadas com ela. Incrível, em uma conversa ela conseguiu tirar de mim o stress de mais de 8 dias de combate. Ela me contou de como era antes de chegarmos, como os alemães faziam represálias e abusavam das pessoas daquela cidade e para fazer um contra-peso nisso, eu contava algumas situações engraçadas que eu e os rapazes passamos (sem falar que eu contava os episódios da nossa infância, Frans) e ela ria muito.

Escureceu e continuamos, lá, conversando, até que eu ouvi um grito que dizia: “Marie, vienne dîner!” (Marie, venha jantar!) e ela respondeu: “Oui, mère!” (Sim, mãe!) – ela se virou pra mim e disse: “C'est ma mère, j'ai qu'ira! Jusqu'plus à, monsier Luke” (É a minha mãe, tenho que ir! Até mais, senhor Luke) e eu respondi: “Jusqu'à, Marie de manque” (Até, senhorita Marie). Ela sorriu e foi em direção da mãe dela.

Agora sem a minha companhia e já escuro, coloquei o meu capacete, peguei a minha arma, coloquei-a no ombro e voltei para onde os outros estavam. O Angie ao me ver, já perguntou: “Onde você estava? Você perdeu o Tomasso fazendo uma imitação do General Patton, que foi muito engraçada, por sinal!” e antes que eu pudesse responder, o Frenchman disse: “Ele estava acompanhado, sargento” – O Angie me olhou com aquela cara de “eu saquei” e disse: “Entendo! Só me diga uma coisa: essa tal companhia era bonitinha?” e o Frenchman disse: “Vi tudo sargento, era uma graçinha!”. Você deve imaginar como eu fui zuado pelo Angie, Frenchman, Nox e Tomasso. Eles ainda me pagam. O Toullouzzi, chegou no meio da conversa e já começou me zuando (apesar de ele ser o mais sério da turma – sempre com um cigarro aceso) – “tudo bem, hoje passa”, eu disse a eles que deram risada (gargalharam para falar a verdade).

Como diz o ditado: “a justiça tarda, mas não falha”. Enquanto conversávamos, o correio chegou (recebi uma carta do Bearstov – depois eu te conto mais detalhes) e o Angie e o Toullouzzi receberam cartas...das namoradas! Isso mesmo, das namoradas! Eu não disse nada...os outros zuaram até dizer chega! (hahahaha).

Muito bem Frans, agora eu preciso ir. Amanhã promete ser um dia bem puxado (rumaremos para a cidadezinha de Bapte). Eu ainda tenho que terminar de comer, limpar a minha arma, me barbear (sabe como é, depois de uma semana o negócio fica horrível) e tentar dormir um pouco (e eu não sei se vou conseguir).

Como sempre eu te peço que filtre o máximo possível dessa carta antes de contar para os meus pais, okay? Isso porque, ou eles enfartam ou eles vão pensar besteira de mim aqui! (hahahaha)

Fica com DEUS, amigo e continue orando por mim.
Um abraço, do seu amigo

Luke SaintJames Oak

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