Um Salto Para o Desconhecido
Fourcaville – 06 de Junho de 1944
Caro Francis,
O que vou lhe contar agora, possui um conteúdo muito forte e violento, portanto peço-te que filtre o máximo dos detalhes para que você conte aos meus pais, ok? Mas eu estou bem, só estou um pouco cansado.
Bom, vamos ao começo: O nosso C-47, se não me engano, foi o quinto a decolar, isso depois que os rebocadores dos planadores já o fizeram. Eu estava próximo à porta traseira, sentado e de cabeça baixa. Durante o percurso, sentia-se uma tensão quase que de velório no avião. Alguns dos meus homens estavam orando, outros fumando, outros “brincando” com os “clikers”, enfim, eles buscavam uma maneira de se acalmar.
Caro Francis,
O que vou lhe contar agora, possui um conteúdo muito forte e violento, portanto peço-te que filtre o máximo dos detalhes para que você conte aos meus pais, ok? Mas eu estou bem, só estou um pouco cansado.
Bom, vamos ao começo: O nosso C-47, se não me engano, foi o quinto a decolar, isso depois que os rebocadores dos planadores já o fizeram. Eu estava próximo à porta traseira, sentado e de cabeça baixa. Durante o percurso, sentia-se uma tensão quase que de velório no avião. Alguns dos meus homens estavam orando, outros fumando, outros “brincando” com os “clikers”, enfim, eles buscavam uma maneira de se acalmar.
Então, o Sargento Stuart se levantou e gritou (só assim pudemos ouvi-lo), gesticulando:
- DE PÉ!!! – todos nós levantamos.
- ENGATAR!!! – todos engataram o cabo do pára-quedas principal, no avião.
- CHECAR EQUIPAMENTO!!! – e todos nós começamos a puxar todas as correias e presilhas que possuíamos no nosso uniforme. Checamos, principalmente, os dois pára-quedas.
- SOAR CHECAGEM!!! – e o último começou gritando o seu número (15) e “ok” , passando para o próximo que gritou o seu número (14) e “ok”, e assim sucessivamente até chegar em mim, que era o número 2 mas o primeiro à saltar, pois o Sargento Stuart saltaria por último pra ajudar até o último homem.
- À PORTA!!! – e todos nós nos aproximamos da porta de saída da aeronave.
Foi então que eu olhei para os outros aviões e vi os tracejos dos disparos das “Flakvielings” (baterias anti-aéreas alemãs, conhecidas como “Flaks”), iluminando o céu, e alguns aviões sendo atingidos e mergulhando para uma morte certa em um campo de trigo francês (eu me pergunto: Será que algum daqueles rapazes teve o pressentimento que iria morrer, naquela noite? Será que esses mesmos rapazes aproveitaram a vida?). Foi então que o Sargento gritou:
- ESPEREM PELA LUZ VERDE!!!!
E o Sammy, que saltaria depois de mim, gritou:
- OK SARGE, VAMOS LÁ!!!!
Foi então que a luz verde acendeu e eu gritei:
- VAMOS LÁ!!!!!! – eu saltei logo em seguida e um segundo depois o Sammy saltou. E eu me pergunto: A vida é ou é ou não é irônica? Eu fico imaginando o teria acontecido se o Sammy tivesse demorado não um, mas dois segundos para saltar.
Quando estávamos descendo, eu olhei para a minha esquerda e vi o Sammy, que me olhou e fez um sinal de positivo. Logo depois disso, um disparo de “flak” o atingiu, matando-o instantaneamente. Quando atingi o chão, me ajoelhei e olhei ao meu redor, para ver se os “Krauts” (era assim que chamamos os alemães) estavam perto, então eu tirei a bóia de flutuação e percebi que eu perdi a minha bolsa de perna, então eu pensei: “Que ótimo. Isso é o que eu chamo de maneira excelente de se começar”. Sorte que a minha colt.45 tava no coldre que estava preso ao meu corpo. Então eu a tirei e corri na direção onde o Sammy tinha caído. Por um instante eu achei que ele ainda estivesse vivo, que bobagem. Quando cheguei, ele ainda estava pendurado na árvore, então eu o desci, tirei a sua do “dog tag” e fechei os seus olhos, mas antes de ir embora eu notei que a sua bolsa de perna não tinha se perdido e ainda estava lá. Então eu à abri e para a minha surpresa, a arma que ele carregava era a mesma que a minha: uma submetralhadora Thompson. A minha munição (das suas armas) ainda estava comigo, então eu peguei todos o conteúdo da bolsa dele e segui em frente.
Eu andei quanto? Acho que uns 3 km. Eu estava seguindo, próximo á uma pequena propriedade e foi então que eu ouvi um barulho em uns arbustos perto de mim. Apontei a minha arma e sussurrei: “Raio” (é uma senha: Raio deve ser respondido por Trovão) e ouvi responderem: “Trovão”. Relaxei o dedo no gatilho e perguntei: “Quem está aí?”, e aí eu ouvi: “Oak? É você?” – eles se mostraram e eu vi que eram o Nox e Topak, ambos do meu grupo, que logo me perguntaram à respeito do Sammy, eu respondi balançando a cabeça negativamente e eles logo entenderam. O Nox carregava uma B.A.R. (Browning Automatic Rifle – Rifle Automático Browning) e o Topak carregava um fuzil Garand (Garand versão para infantaria, com pente de 8 cartuchos). Eu perguntei a eles se eles sabiam onde estávamos e o Nox respondeu: “eu vi uma placa lá atrás escrito Saint Maire Egliese, Sarge”.
Já sabendo onde estávamos, seguimos até uma fazenda nas redondezas, onde estava localizada uma bateria anti-aérea alemã. Paramos nos arbustos próximos e o Nox me perguntou: “vamos atacar, Sarge?” E eu respondi que sim. E quando nos preparamos, vimos um planador que, voando baixo, bateu no chão próximo a posição da bateria. Fiz um sinal para os meus homens para avançarmos e atacarmos os krauts antes que eles atacassem o planador, mas quando pensamos em começar o ataque, a porta do planador se abriu e só foi possível ouvir os disparos de Thompson, BAR e Garand que dizimaram os krauts que tentaram atacar. Eu e os meus homens nos aproximamos do planador com cautela e quando chegamos lá, percebi que o comandante era ninguém menos que o sargento Angie Dubowski (portava uma M1 Garand Paratrooper, com pente de 15 cartuchos). Fiquei surpreso de vê-lo fazer aquela entrada exótica e ele também, ao me ver ali, bem na frente dele – eu penso que às vezes as coisas acontecem porque devem acontecer. O Angie tava com 2 homens ,os únicos sobreviventes da queda do planador: o cabo Andrey Tomasso (natural da Pensilvânia e portava uma BAR) e o soldado Ross Taylor (natural do Kansas e portava uma Thompson). Decidimos que seria melhor ficarmos juntos e rumarmos para o norte, como nos foi instruído, então pegamos toda a munição que pudemos carregar e começamos a andar. Estava muito escuro naquela noite, parecia que nunca mais iria clarear, e a nossa única luz eram os “flashs” das baterias anti-aéreas alemãs, iluminando o céu. Chegamos à uma outra fazenda, e logo ouvimos: “Raio” e respondemos quase que imediatamente: “Trovão” – era o Major Donald “Duck” Topawisk da 101 Divisão (foi ele que pediu a minha transferência para a mesma). Ele nos disse que acabara de montar um Posto de Comando (P.C) nessa mesma fazenda, e para relaxarmos e esperar amanhecer para começarmos à agir.
Eu não consegui dormir, só dei uns cochilos. Ainda de madrugada, levantamos e logo o major, que já estava de pé, nos deu uma tarefa especial: capturar uma estação de artilharia costeira, localizada próxima da “Saída 4” (perto da praia de Utah), nos arredores de um pequeno vilarejo. Fomos apenas nós seis: Eu, Topak, Nox, Angie, Tomasso e Taylor.
Na estação haviam dois canhões de artilharia, mais conhecidos como Flak 36, que estavam sendo protegidos por dois grupos de quatro alemães cada. Alguns desses alemães estavam conversando, alguns ainda dormindo e outros estavam limpando as suas armas. Como tinha muita vegetação, foi possível uma aproximação sigilosa. Quando estávamos próximos para um ataque surpresa, o Angie sugeriu que ele pegasse o flanco direito e eu o esquerdo. E assim o fizemos. Entramos em posição para atacar, lançamos nossas granadas e depois que essas explodiram, atacamos o alvo e atiramos em qualquer um que estava vestindo cinza. Capturamos, enfim a estação, sem perdas nossas. Então decidimos rumas para as proximidades da praia de Utah. Chegando lá, vimos um enorme grupo de alemães em retirada. Não tivemos dó, começamos a atirar e a derrubar cada um dos “krauts” que conseguimos ver e os que se rendiam, mandávamos, gesticulando com as armas, à deitarem no chão com as mãos atrás da cabeça. Quando isso tudo acabou, tratamos de nos recarregar, com o pessoal da 4ª Divisão de infantaria, que acabara de desembarcar, e de rumar em direção à nossa próxima parada: Saint Come Du Mont. Na verdade, esse era objetivo da 101 Divisão. O pessoal da 82 Divisão teria que capturar Saint Saveur.
Bom, saindo da praia de Utah, andamos alguns kilometros e chegamos á Fourcaville, uma cidadezinha, não muito longe de Saint Come Du Mont. Havia muita resistência lá, me pergunto: da onde os alemães tiravam fôlego para lutar? Não foi fácil passar por Fourcaville. Os alemães que não recuaram, foram aniquilados. Não tivemos piedade de nenhum. Lembro perfeitamente de em um ataque à um pequeno grupo, de ter descarregado a minha arma...ainda lembro dos rostos, das expressões de dor e sofrimento daqueles infelizes, mas guerra é guerra, não se pode vacilar, e eles vacilaram. Quase morri, quando eu perdi a minha atenção por um segundo, mas graças aos céus, eu tinha ótimos soldados ao meu lado para me cobrirem. E falando em soldados, hoje eu reencontrei o Judas e o Fox, que rumaram para Fourcaville, depois que esta foi transformada em um P.C.
Concluindo, esse, definitivamente, se tornou o meu grupo. Estamos em 8 agora:
Oak (eu) – 101 Airb.Div. – Thompson
Topak – 101 Airb.Div. – M1 Garand (versão p/ infantaria – pente de 8 cartuchos)
Nox – 101 Airb.Div. – B.A.R
Judas – 101 Airb.Div. – Garand Paratrooper (versão p/ pára-quedista – pente de 15 cartuchos)
Fox – 101 Airb.Div. – Thompson
Angie – 82 Airb.Div. - Garand Paratrooper (versão p/ pára-quedista – pente de 15 cartuchos)
Tomasso – 82 Airb.Div. – B.A.R
Taylor – 82 Airb.Div. – Thompson
Bom Francis, sobrevivi ao Dia D, mas sei que muito não tiveram a mesma sorte que eu ou dos outros caras do meu grupo. Oro à Deus, hoje, agradecendo principalmente por ter sobrevivido e pelas famílias daqueles que se foram. Escreverei novamente, ok? Diga aos meus pais que, apesar de tudo, eu estou bem. Fique com Deus.
Um abraço
Luke Oak
P.S: Finalmente eu consegui o que você me pediu: uma Luger “novinha” – o kraut nunca teve a chance de usá-la mesmo. Quando eu voltar para casa, eu à levo, porque se eu mandá-la pelo correio, é bem provável que a descubram, agora que a inteligência está abrindo toda a correspondência de todo e qualquer soldado, por motivos de segurança das operações militares.

2 Comments:
Just awesome dude;;;
*.* Essas historias estão demais...
Só estou aguardando a próxima temporada xDDD
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