Tuesday, February 27, 2007

Saint Come du-Mont

Saint Come Du-Mont - 8 de junho de 1944


Caro Francis


Fico feliz que as coisas aí estão correndo bem. As notícias que você me mandou de casa, realmente me confortaram. Principalmente agora, que chegamos e já tomamos Saint Come du-Mont.
Eu sei que estou soando um pouco triste, mas explicarei no decorrer dessa carta.
Pois bem, da ultima vez que escrevi, eu estava em Fourcaville. Esperamos até o amanhecer para seguir em frente, tendo como próxima parada o vilarejo de Vierville. Este é um dos outros vilarejos que estão nos arredores de Saint Come du-Mont.
Praticamente não havia alemães lá. Os “krauts” estavam lá somente para tentar nos segurar tempo suficiente para que as defesas de St. Come du-Mont pudessem ser reforçadas. Ao entrar no vilarejo, já pudemos escutar os alemães gritando “amerikaner!!!” (americanos). Imediatamente mandei os meus homens dispersarem e procurarem abrigo e o Sgt. Angie fez o mesmo. Enquanto os chucrutes estavam descarregando as suas armas em nós, o Angie me chamou e disse: “Oak, eles estão divididos entre os flancos direito e esquerdo, preciso de um dos seus pra flanquear esses miseráveis pelo lado esquerdo!!!”. Concordei e mandei o Fox ir com eles.
Depois que o Angie foi com o grupo dele, mandei o Judas e o Topak concentrarem fogo em qualquer um que estivesse vestido de cinza. Daí eu peguei o Nox e fomos flanquea –los pelo lado direito e enquanto estávamos saindo, pude ouvir que um dos Krauts gritou “Aufmerksamkeit, grenzen sie uns an!!!” (atenção, eles estão nos flanqueando!!!) – a única coisa que me pertubou nessa hora foi o zunido dos projéteis passando...eu achei que seria atingido nessa hora. Quando chegamos à uma posição adequada, dei a ordem e eu e o Nox começamos a atirar nos alemães. Eu pude ver a expressão deles de “Meu Deus, eu vou morrer”, mas mesmo assim não soltei o dedo do gatilho e quando o último deles caiu, o Nox gritou para o resto do grupo: “Cessar fogo, cessar fogo!!!” – Judas e Topak param de atirar e recarregam as suas armas. Então começamos à, literalmente, varrer o vilarejo dos alemães. “Linkei” o meu grupo com o do Angie e fizemos vários assaltos combinados para tomar cada casa e cada celeiro daquele vilarejo. Desentocamos os nazistas onde quer que eles estivessem. Não fizemos prizioneiros. E quando acabamos, descansamos e nos preparamos para rumar para Saint Come du-Mont.
Naquela noite, eu não consegui dormir. Então eu fiquei de vigia e quando o meu turno acabou, vigiei para que os outros, que estavam vigiando, ficassem acordados. Mas, ainda bem que nada aconteceu naquela noite.
Na manhã seguinte, acordamos de madruga e já começamos à andar em direção à Saint Come du-Mont. No caminho até a cidade, os Krauts fizeram todo o tipo de barricada, tentando nos impedir de chegar até a cidade, mas fomos mais durões que eles! Arrasamos todos os grupos de alemães que se colocaram no nosso caminho e quando chegamos à estrada principal pra cidade, só pude ouvir o Fox gritar: “MG - 42!!!” e em seguida, disparos de uma metralhadora e só pude ver o resto do grupo, em desespero, procurando cobertura. E no meio dessa confusão, pude ver que um outro grupo se aproximava. Era o grupo do Sgt Stuart (estavam com ele: Cherok, Silver, Holyman e Swinger) que chegava e tentava, assim com nós, buscar abrigo. Mas o Swinger não teve tanta sorte. A metralhadora o atinge em cheio...acho que 4 ou 5 tiros no abdomen. Ele cai no chão mas ainda não morreu...continuou agonizando. Não pude suportar ver aquela cena, então gritei: “Esquadrão, Cobertura!!!” e me expus ao fogo para tirar o Swinger de lá – ele olhou pra mim, nos meu olhos e disse, cuspindo sangue: “Que droga Sarge, que droga!!! Eu tô muito mal, sarge? Que droga, eu não queria morrer aqui, queria voltar pra casa, queria voltar pra casa” – nessa hora ele morreu, morreu nos meus braços, e com seus olhos ainda abertos. Nessa hora eu não soube o que fazer, me senti tão impotente, e desejei que fosse tudo um sonho – Bob, gritou pra mim nessa hora: “OAK!!! SAIA DAÍ, DEIXE-O, ESTÁ MORTO!!! SAIA DAÍ!!!”. Então eu peguei a minha arma e gritei pro meu esquadrão:
“Judas, Fox, Topak, Nox, descarreguem nesse maldito!!! Cherok, Silver, Holyman, vcs vem comigo, vamos assaltar esse miserável pelos flancos” e em seguida gritei pro Angie: “Angie, pega seu grupo e ataque pelo outro lado!!! Vamo bora!!! Vamo Bora!!!”
Então, nessa hora eu ignorei completamente o barulho dos tiros da MG-42 e atravessei para o outro lado da estrada – Queria o sangue desse alemão à todo o custo!!!
Quando cheguei pelo o outro lado com o meu grupo, confesso que senti um enorme prazer em descarregar a minha arma naquele miserável. E logo após isso, notei um pequeno esquadrão de Krauts tentando escapar. Mas esse era um luxo que eu não dei à nenhum inimigo – mandei meus homens derrubarem todos eles, com exceção de um. Depois que tudo acabou, eu fiz esse lixo cavar uma sepultura para enterrar o Swinger e em seguida o amarrei e o larguei lá – “ele que se dane”, pensei.
Depois disso tudo, rumamos diretamente para St. Come du-Mont e no caminho, encontramos o Major Topawisk com o resto dos nosso homens: Capovich, Mac, O’Brian e Frenchman. Eles logo me perguntaram sobre o Sammy e sobre o Swinger – eu apenas respondi que ficaram pra trás e eles logo entenderam.
Finalmente chegamos em St. Come du-Mont e já começamos à bolar a nossa estratégia. O major disse: “Precisamos assegurar essa cidade, não importa o que aconteça!”; Então juntamos eu, o Angie, o Stuart e o Topawisk e bolamos um plano de assalto. O Angie atacaria pelo flanco direito, juntamente com Topawisk, o Stuart pelo flanco esquerdo e eu , por um ataque frontal. Eu levaria Nox, Topak, Cherok e Mac; o Angie levaria o Tomasso, Taylor(ambos da 82nda), Judas e Fox; o Stuart levaria o Silver, Holyman, Capovich, O’Brian e Frenchman.
Tomamos fôlego e o major gritou: “Okay, vamos lá!!!”
Lembro de ouvir os alemães gritarem: “Sie kommen!!! Schnell Feuer!!!” (Estão vindo!!! Rápido, atirem!!!). E aí, só deu pra ouvir os tiros de MG-42, os zumbidos e as explosões dos morteiros – eles estavam jogando tudo o que tinha na gente!!!. Procuramos abrigo e então eu gritei: “Nox, Topak, Cherok, concentrem o fogo na 42!!! Mac, você vem comigo!!!” Então eles começaram à atirar nos krauts e eu comecei à correm para a posição mais segura pra desviar dos tiros da 42 alemã – o Mac me seguia de perto. Colei no primeiro abrigo que encontrei e o Mac junto comigo, então tomamos fôlego e rumamos para o próximo abrigo, até que quando eu fui me virar, para sinalizar o resto do grupo, uma chuva de sangue acertou o meu rosto. Nisso, eu tropecei e caí perto do abrigo e quando consegui limpar meus olhos, vi o Mac no chão se contorcendo...havia levado um tiro no pescoço e sangrava muito. Me arrisquei e o tirei de lá, mas de nada adiantou e ele morreu ali mesmo, afogado no próprio sangue e em completa agonia. Nessa hora, percebi que se eu não me concentrasse, acabaria como ele. Então, eu dei uma olhada rápida pra onde estava a 42 e vi uma pequena vala próxima a posição alemã – gritei aos meus homens: “Tudo na 42!!! TU. DO na 42!!!” e eles logo obedeceram!!! Então corri e me atirei naquela vala, como se lá estivesse a minha salvação. Então peguei uma de minhas granadas, tirei o pino e arremessei. Ela caiu em cheio, só deu pra ouvir um grito: “ankommendes granate!!!”(granada vindo!!!) e a granada explodiu, levando os dois alemães com ela. Depois disso, continuamos avançando. Quando chegamos a um prédio que estava próximo à igreja da cidade, encontramos com o grupo do Angie e este me disse: “dia agitado não” e eu balancei a cabeça em sinal que concordava. E ele também me disse: “tem um bastardo no campanário daquela torre, precisamos derrubá-lo se quisermos tomar a igreja”, concordei!!! Então o Tomasso gritou: “Sargento, achei uma Panzerfaust!”, então o Angie disse: “O que está esperando? Uma ordem da sua mãe??? Atire contra o campanário!!!” – ele atirou e o mesmo veio abaixo. Corremos em direção da igreja e à tomamos. Quando chegamos lá, vimos alguns alemães tentando retomar a igreja, mas não deixamos, repelimos o fogo e depois que derrubamos uns 10 deles, eles começaram à recuar, mas mesmo assim, não cessamos fogo e derrubamos mais deles. Depois disso ouvimos mais sons de disparos de 42 vindos do outro lado da cidade, pra onde foi o Stuart. Fui com o meu grupo pra lá, enquanto o Angie permanecia protegendo a igreja.
Quando cheguei lá, vi nada mais, nada menos que um tanque!!!, Um Panzer, pra ser mais exato. Na hora eu gritei: “BLIN-DA-DO!!!”, os alemães ouviram e gritaram: “Mehr sie!!! Feuer, jetzt!!!” (Mais deles, atirem já!!!). Sem brincadeira, nessa hora eu pensei: “Estou morto, tem um tanque aqui!!!”. Gritei: “Procurem abrigo!!! Vão vão vão!!! Mecham-se!!!” – mas o tanque estava confuso, pois haviam dois focos atacando, o meu e o do Stuart, não sabia em quem atirar. Então eu fiz uma loucura: mandei meu esquadrão concentrar fogo, para me proteger, e corri em direção ao tanque. Isso mesmo, corri em direção ao tanque!!! Os Krauts, parece, que me escolheram com o alvo principal depois dessa – chegando no tanque, eu subi nele, tirei uma granada, tirei o pino dela abri a escotilha do tanque e joguei a granada lá dentro – dentro do tanque. Quando ela explodiu, os alemães começaram à recuar – Aí eles, realmente, começaram à recuar!!! Perceberam que perderam a única vantagem e começaram à recuar e nós começamos à atirar neles (revanche) os que não foram rápidos o suficiente, ficaram lá mesmo nas ruas da cidade como um lembrete de que os rapazes do Fox 18 tinham passado por ali.
Conseguimos tomar a cidade, ainda bem. Apesar de ter perdido um dos meus homens lá, foi um bom trabalho!

Em suma perdi mais 2 membros do meu grupo: Swinger e Mac (que eles descansem em paz – suas mortes não serão esquecidas, foram heróis) e me reencontrei com o resto do meu pessoal!!! Agora a próxima parada será em Carentan e nós tomaremos aquela cidade, pode apostar!!!

Bom Francis, lhe mandarei outra carta em breve, se DEUS quiser, é claro!!! Diga aos meus pais que está tudo bem, apenas diga isso, ok?
Assim que puder, te mandarei a Luger, mas por enquanto não – quando volta para a Inglaterra, talvez.

Ore por mim!!!

Um abraço do seu amigo,

Luke Oak

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