Friday, December 22, 2006

Encarando o Destino

Inglaterra – 05 de Junho de 1944


Queridos mamãe e papai


Ontem, recebemos um falso alerta de que saltaríamos. Nos fizeram colocar todo o equipamento – aproximadamente 90 Kg -, passar a graxa de camuflagem no rosto pra depois nos avisarem que não teria salto porque a região da Normandia estava encoberta com uma neblina muito espessa e que por causa dela, os pilotos dos aviões e dos planadores não conseguiriam encontrar as zonas de salto. Só pra vocês terem uma noção básica da quantidade de equipamento que cada um de nós teria que carregar, aqui vem uma descrição:
-Ração K para 15 dias
-Água
-Minha Submetralhadora Thompson + aproximadamente 30 carregadores (cada um com 20 cartuchos) com munição
-Minha pistola Colt. 45 + munição
-4 minas Hawkeyne
-20 Kg de explosivos do tipo TNT
-4 Granadas Mark II
-Equipamento de uso pessoal (que inclui objetos de uso pessoal + meias)
-Uma pá para cavar trincheiras
-3 jogos de cordas (cada uma com mais de 10 metros)
-O pára-quedas principal
-O pára-quedas reserva
-Uma faca de cinto
-Uma faca de correia (fica na correia da mochila)
-Uma faca de perna

Sorte que parte desse equipamento vai em uma bolsa de perna (ela tem esse nome porque fica situada entre as pernas, presa somente por uma corda) – somente as armas (com excessão da pistola e das facas), o resto carregamos preso ao nosso corpo mesmo.

Bom, pra ir direto ao assunto, hoje eu vou saltar mesmo, já estou com todo esse equipamento pronto pra ser colocado. Enquanto eu escrevo essa carta, estamos todos sentados perto da nossa pilha de equipamento e perto do nosso C-47, que vai nos levar até o objetivo. Nos deram até sorvete e um texto datilografado pelo comando dizendo aquela baboseira de sempre: “Hoje é o dia para o qual vocês treinaram duramente... e blá, blá, blá”, acho que eles pensam que nos estão fazendo uma cortesia de favor, imagine. E isso, sem falar que eu ouvi um dos oficiais gritando: “Aqueles que não fizeram o seguro de vida, procurem o Capitão Frampton, não deixem que suas famílias percam de ganhar 10 mil U$” – pensei comigo: “Será que a morte é tão engraçada assim pra esse sujeito?”. Aqui no meio dessa algazarra toda, eu reencontrei o cara da 82 divisão, o Sargento Angie Dubowski – eu lembrei o nome da cidade dele: ele é meio canadense e meio americano, mas ele é natural de Halifax, Canadá – que me disse que não iria em um C-47, mas sim em um planador. Desejei boa-sorte a ele e apertamos as mãos, e ele foi pra junto do seu grupo. Logo após isso, o Bob me chamou para começarmos a por os homens dentro do avião, então, vesti todo o meu equipamento e já estou finalizando essa carta para passar a graxa no rosto e, finalmente, me juntar à ele.

Fiquem com Deus e não se preocupem comigo porque o meu futuro a Ele pertence. E se algo me acontecer, tenham certeza que eu lutei bravamente. Mas não pensem que essa é uma carta de despedida, pois ainda escreverei contando como foi esse dia que está prometendo ser bem longo.
Orem por mim!
Amo muito vocês dois!!!

Luke Oak

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